Esqueceram de Mim (Home Alone)






Então, mais uma vez é Natal! Festa na casa de parentes, aqueles amigos desejando felicidades, aquele pessoal que cê nunca viu na vida ou nem lembra mais falando contigo, comer até perder a noção do perigo e ter que se entupir de Sonrisal pra aliviar o passamento, ganhar aquelas meias super daora, e claro, tudo isso regado aos filmes especiais de Natal.


E se há uma franquia que se tornou clássica dessa data tão querida, foi Esqueceram de Mim. Há boatos de que se chegarmos ao dia 25 de Dezembro e não tivermos ao menos uma exibição de um dos filmes da série, ao virar da noite nós voltamos ao dia 1 de Dezembro.


E ano passado, como vocês bem lembram, eu fiz uma listinha de filmes natalinos. E meus amigos Lili e Guinréds reclamaram porque eu não botei Esqueceram de Mim na lista.
Eles me torturaram, amarraram numa cadeira, e ficaram comendo pizza na minha frente sem me oferecer.

Então, como um pedido de desculpas (e porque eu já tava planejando isso desde o ano passado), vamos dar um passeio por todos os 5 (CINCO) filmes da franquia.








Esqueceram de Mim (1990)

Comecemos pelo filme que deu origem à série. Escrito por John Hughes (o mesmo de Clube dos Cinco, Curtindo a Vida Adoidado, Flubber e os 5 Beethoven, fora, é claro, os 3 primeiros Esqueceram de Mim), o filme não tem tanta pretensão.




A família McCallister irá sair de férias para Paris, então todo mundo se reúne um dia antes da casa de Kevin Mcallister (MACAULÊI CÁUQUIN), então temos toda aquela bagunça familiar. Mas o pequeno Kevin se sente injustiçado e tratado como lixo pelos outros parentes, até que ele se descontrola e a mãe o manda dormir no sótão.

Além dessa série de acontecimentos, outros fatores externos acontecem que a família quase perde a hora, e na pressa esquecem Kevin em casa, sozinho. E agora que 2 ladrões estão se organizando pra invadir e roubar a casa, Kevin precisa se virar pra além de sobreviver, expulsar os larápios.





Embora seja um plot bem simples, ele é guiado de uma forma leve, divertida, e com aqueles contratempos que todos nós já tivemos contato, mas de uma forma bem cartunesca, o que ajuda na identificação com os personagens.


O que de fato faz realmente esse filme são os personagens (e as armadilhas, mas já chegamos lá). Kevin é um personagem inocente, egoísta, sem controle total das emoções, mas que ao mesmo tempo, ao ser confrontado com o desafio, o encara e tenta dar o melhor que pode.


A família também é bem escrita. Claro, eles não são muito complexos, mas admita, nas festas de família você também nem conhece metade do pessoal que tá na casa, então a sensação é a mesma.




A mãe é perfeita. No primeiro ato ela parece ser extremamente má, cruel, e a atuação dela passa a impressão de frieza total. Mas ao se dar conta de que esqueceu Kevin, ela move mundos e fundos pra voltar pra casa, o que é bem realista e tocante. Qualquer um que tenha uma mãe coruja (como eu) sabe como elas ficam em situações parecidas.


As armadilhas são um show à parte, e de fato o momento que todos nós lembramos. O que as torna tão memoráveis é o quão criativas e torturantes elas conseguem ser, quase um filme gore pra crianças. Só que sem o sangue.





Cada momento no filme é apreciado, cada elemento tem seu tempo pra respirar, ser desenvolvido, e ser mostrado. É um timming muito bom, e a entrega final cumpre o proposto.


E ele está recheado de coisas natalinas: músicas, cores, mensagens… É um filme que dá vontade de abraçar, é muito sincero e cumpre o que promete. Faz por merecer o título de clássico natalino.















Esqueceram de Mim 2 – Perdido em Nova York (1992)






A sequência do filme original toma alguns cuidados em relação ao roteiro. A família McCallister está viajando de novo, e dessa vez se asseguram de que Kevin está com eles. Mas, graças à zuera do destino, a família acaba indo pra Flórida e Kevin pra Nova York.


E como desgraça pouca é bobagem, a dupla de ladrões escapa da prisão e escolhe justamente Nova York como novo alvo. E como se não fosse o suficiente, encontram Kevin e querem vingança.





O filme faz diversas referências bem diretas ao primeiro, você pode praticamente fazer um drinking game baseado nisso. Mas não são referências soltas, e o filme consegue andar sozinho e ter identidade própria, além de fazer o filme progredir.


O slapstick começa a dar sinais de cansaço, algumas armadilhas estão muito forçadas. Por exepmplo, tem uma cena onde o magrelo (sim, eu nunca decorei o nome dos ladrões) entra na casa e ignora o buraco do tamanho de uma cratera fortalezense no meio da sala e simplesmente cai nela. Você pode fazer o argumento de que ele tinha levado 4-5 tijoladas na cabeça, mas não justifica, tava na frente dele. O Lula depois de ter tomado 10 cachaças ainda conseguiria desviar daquele buraco, pelo amor de Oz!





Mas, felizmente, o que funciona realmente funciona, é realmente engraçado, é quase uma série de videocassetadas fictícias e mais exageradas.






Quem rouba a cena é definitivamente Tim Curry. Em cada cena que ele aparece, ele arranca alguma reação, alguma risada, qualquer coisa, mas é impossível ficar sério quando ele está em cena. Embora não seja um vilão tão caricato como em Muppets na Ilha do Tesouro ou Os Três Mosqueteiros, temos todos os trejeitos típicos do fantoche que conhecemos e amamos.






No entanto, tem uma coisa que sempre, desde pequeno, me irrita sobre esse filme: a moral.

Tudo se resume à frase da moça dos pássaros:




Bibbidi-bobbidi-bullshit.


Uma ação boa não apaga uma ação ruim, a ação ruim já foi feita e terá suas consequências. Isso é tão redundantemente errado que só em fazer esse parágrafo eu já falei demais.

Mas, o resto do filme é simplesmente lindo e divertido. Talvez menos heartwarming que o primeiro, mas ainda assim tem belíssimos momentos, além de uma fotografia linda, eu simplesmente amo como os prédios, luzes e o Central Park foram gravados.










Infelizmente, seria o último grande triunfo da franquia, já que o próximo…


Esqueceram de Mim 3 (1997)



O filme comete seppuku logo no início, quando começamos a acompanhar uma história envolvendo espionagem, chips, e armas nucleares.

Daí após uns contratempos, o tal chip vai parar nas mãos de um guri de 8 anos, Alex.
Não Kevin.
Alex.
É um personagem totalmente à parte do universo de Kevin.






Não é um filme que tem Natal no meio, mas ainda é um filme da franquia e eu me sinto na obrigação de resenhar.

“Obrigação” é uma palavra muito exata, porque de outra maneira eu jamais veria essa bomba.

Os problemas do filme são muitos, mas os fundamentais ficam em falta de carisma dos personagens e no setup/timming das armadilhas.

Falemos dos personagens. Alex é uma criança prodígio. “AH MAS O KEVIN TAMBÉM ERA EXAGERADO FAZ PARTE DO CONCEITO” Calma lá, speedo. Kevin podia fazer as armadilhas lá, mas no geral elas pareciam mais gambiarra mesmo. Alex faz as armadilhas de forma friamente calculada, até demais pros padrões da série.

Isso porque o guri tem FREAKING 8 ANOS. Na idade dele a maioria das crianças mal consegue criar uma história decente usando bonecos de plástico, que dirá armadilhas caseiras tão criativas e absurdamente exatas que fariam o MacGyver dizer “THIS IS BULLSHIT.



Olha o tamanho da geringonça que ele faz
só pra alimentar o peixe.

Acima disso, o ator não passa nenhuma segurança do personagem. MACÁULEI era algo sim, por vezes forçado, mas em geral era mais natural que Alex. As falas dele mesmo parecem ter sido calculadamente escritas pra soarem fofinhas, mas na cena seguinte ele já fala como um perito do CSI.


Os irmãos dele também sofrem dessa bipolaridade não-intencional, eles aproveitam cada segundo de suas aparições pra fazer a vida e a moral de Alex serem um inferno, mas quando aparece o cara do FBI eles já bancam os irmãos protetores. Não tivemos nenhum sinal de que eles poderiam mudar, ao contrário dos outros dois filmes, onde os irmãos tem mais tempo de cena e podem ser mais bem desenvolvidos. Mesmo com toques sutis.





E o roteiro em geral é fraco, sem inspiração, sem mensagem. Não há mais aquele sentimento de urgência, pois os pais simplesmente viajam a trabalho todos os dias, e não podem ficar com o filho de catapora. Vemos a mãe ter que fazer a escolha difícil, mas não diminui a gravidade dos atos.

E os vilões são simplesmente recortes de papel. Sem nenhuma personalidade ou algo que os marque, os slapsticks ficam sem graça por não conhecermos bem quem está sofrendo, ou porque eles deveriam estar sofrendo. E, de novo, as armadilhas são estupidamente irreais.




Em resumo, é um filme chato, sem graça, sem carisma, sem estilo, e que definitivamente não deveria ter sido feito pra matar logo a franquia enquanto ela estava boa, no 2.

Mas, como esse é um mundo triste e não podemos ter coisas legais…



Esqueceram de Mim 4 (2002)






Em 2013, eu assisti ao filme The Cat in the Hat (2003). É o pior filme que eu já assisti e também o mais torturador, que eu chamo carinhosamente de “prova de que falhamos como raça humana”.

Ou 3G da TIM, tanto faz.


A nota dele no IMDB é de 3,8. Esqueceram de mim tem 2,4.



A história volta ao núcleo da família McCallister… Argumentalmente… Teoricamente…

...eu chego lá.



Pleno 2002 e esse filme inventa a Selfie. 


Os pais de Kevin estão se separando, e o pai está namorando uma moça podre de rica e sem nenhum amor no coração. Kevin vai passar o Natal com o pai e a futura madrasta, quando Marv e a esposa aparecem pra raptar o filho de uma família real sabe-se lá daonde e a essa altura cê já sacou por onde tudo vai e já parou de se importar com a história depois da primeira linha.


Vamos pro que o filme pegou certo…




...tem Natal…









E tem a mãe da guria de Ponte
para Terabítia, quando elas foram
na fábrica de chocolate do Jack Sparrow. 

O filme falta carisma, roteiro inteligente (ou pelo menos simpático), timming e armadilhas. Temos praticamente 5-10 minutos de armadilhas, pouco ou nenhum setup a elas, os atores não são os mesmos, os personagens não são os mesmos (é como o filme do Avatar, o fato deles terem o mesmo nome é mera coincidência), a comédia é sem graça, o slapstick é falho em atuação e timming… É uma bagunça.

É como se o filme quisesse morrer, mas te levar junto, e, no processo, te torturar lenta e dolorosamente. Ele é tão óbvio que chega a dar uma náusea. Nada nele se salva, absolutamente nada. A atuação? Eu não acredito em uma linha sequer proferida durante toda a exibição. Eu não vejo personagens, vejo atores que querem receber uns trocados no final do mês pra comprar paçoquita pra comer depois do jantar.






PARE DE ME TORTURAR


Sim, ele merece estar bem pertinho de The Cat in the Hat. Tudo que ele tenta fazer, ele falha miseravelmente, até quando tenta referenciar os outros filmes.

A propósito, isso funcionou como um piloto pra uma série de TV baseado na franquia. Os atores até tinham cláusulas que os obrigavam a participar da tal série, caso vingasse.

A recepção do filme mostra o quão certo isso deu.

O próprio ator que interpretou Marv nos outros filmes foi procurado pra reprisar o papel. Ele leu, disse que o roteiro era um insulto, um monte de lixo, e certamente mandou eles à merda mentalmente.


É um filme tão ruim, mas tão ruim, que no torrent que eu peguei veio uma pasta com músicas clássicas dos anos 80.

É sério.

Creio que foi a forma que o criador do torrent achou de pedir desculpas pelos bytes gastos.




No caso desse filme, eu concordo.

Mas, como disse o nosso poeta, filósofo, e Power Ranger, Tiririca, “pior que tá num fica”.


Certo?


CEEEEEERTO?



Esqueceram de Mim 5 (2012)




...eh.

Finn e sua família se mudaram pro Maine, e Finn acredita piamente que a casa é mal-assombrada.

Só por essa linha poderíamos achar que é uma história do Stephen King, mas continuemos.




Finn descobre que o sótão da casa tem um compartimento secreto, e nele um quadro raríssimo e valioso, que um cara quer e contrata 2 capangas pra pegá-lo, e Finn (ajudado por sua irmã) vão impedi-los.

Sim, é um filme fraco. Fraquíssimo. A comédia é inexistente, os personagens são pré-moldados, e as atuações são inexpressivas. As armadilhas são sem criatividade (exceto o lance de jogar bolas de natal na cara do invasor), e a narrativa é previsivelmente cansativa.





No entanto, ela toma algumas novidades na franquia. Como por exemplo, o vilão tem um motivo sentimental pra pegar o quadro de volta, o guri fica sozinho em casa com a irmã, algumas coisas são modernizadas, como jogos, internet, e como isso nos deixou anti-sociais, etc.

Mas não são elementos muito bem aproveitados, e acabam sendo esquecidos.

Tem um momento engraçado de quid pro quo no final, mas, sinceramente, não vale a pena assistir só pra chegar lá.





Mas, das sequências pós-2, esse é o menos pior, quase empatando com o 3. Ao menos eles tentam fazer referências à franquia, andar com as próprias pernas, etc. Mas os dois fazem isso de uma maneira tão automática que parece ser feito porque eles foram contratualmente obrigados a fazer, como colorir espaços com indicativos de número daquelas revistas Coquetel.





De qualquer forma, os dois primeiros filmes sempre estarão nas nossas mentes e no nosso coração, nos lembrando que dores físicas podem trazer muita paz e felicidade.





Se ligue semana que vem, onde veremos mais uma franquia de filmes natalinos que causará menos danos no cérebro.

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