Tomorrowland (feat. A Família do Futuro)




Lembram de Piratas do Caribe, né? Como foi um excelente filme de aventura e um sucesso inesperado, baseado em uma atração de um dos parques da Disney (lembrando que Country Bears foi um fracasso total). Eles tentaram a sorte de novo com Mansão Mal Assombrada, e não deu muito certo, então resolveram dar toda a atenção a Piratas, porque era mais lucrativo n'stuff.


E como a Disney agora é mais empresa e que tenta atender aos pedidos do público ao invés de tentar se esforçar em fazer algo de fato bom e criativo, eles resolveram, em 2015, fazer o filme baseado em uma atração do EPCOT, Tomorrowland.






O plot começa simples o suficiente. Um guri gordinho chamado Doug Wal-hã… Frank Walker chega numa feira de tecnologia na Disneylândia com um protótipo de jetpack que ele mesmo fez. Mas ele é rejeitado pelo Dr. House, e sua filha andróide fofinha com sotaque britânico invejável ajuda o guri gordinho a chegar numa cidade escondida debaixo da Disneylândia, onde se reúnem os maiores cientistas, artistas, engenheiros e etc pra tornar o mundo melhor.




O filme dá um salto em 30 e poucos anos (ou algo assim, não sou bom de cálculo. Fomos dos anos 60 pros dias atuais, pronto.), onde acompanhamos uma jovem entusiasta da NASA, Casey Newton. Ela tem como hobby invadir uma plataforma de foguetes prestes a ser desativada em busca de uma forma de salvá-la, pois o pai trabalha lá e depois da desativação ele ficará sem emprego. Até que um broche cai em suas mãos, que a direciona a uma série de eventos que a leva para a garotinha andróide (chamada Atena) e ao guri gordinho, que cresceu e se tornou o Batman. Agora eles vão atrás da tal Tomorrowland porque Casey pode ser a chave para a salvação do mundo.



Ok, então vamos pras coisas boas primeiro. O filme tem uma boa fotografia e cenários criativos. Tomorrowland do broche é uma cidade inovadora, divertida, e relativamente clichê, mas ao mesmo tempo faz coisas novas.


Muito da base tecnológica do filme é interessante de ver, temos armas, robôs, prédios, equipamentos com um toque steampunk em alguns momentos. É inventivo, é divertido, a ação é empolgante, e a comédia e diálogos melhoram bastante em relação ao primeiro ato.



Mas o principal problema de Tomorrowland são os personagens. Eles são simplesmente… Comuns. Não que eles sejam mal atuados, as performances são boas. Tem algumas recaídas de Clooney e da… guria loira cujo nome sempre esqueço, mas não são horríveis. A única que tem uma atuação constantemente boa é a guria andróide. Ela não demonstra emoções, mas ao mesmo tempo ela não age totalmente como um robô, é um equilíbrio fantástico. Mas só ela.



O que é uma pena, porque eu vejo potencial nesses personagens, eles poderiam facilmente ter se tornado interessantes e agradáveis. Uma criança metida a cientista que foi expulso de Tomorrowland, cresce e se torna um hikkikomori, e agora vai se juntar com uma adolescente aparentemente comum, mas com potencial criativo, ajudados por uma androide pirralha. Soa como um amontoado de ideias bagunçadas, mas tem como dar certo. Mas infelizmente, eles acabam focando mais em explicar as coisas e… É, esse é um dos problemas.




Lá pro terceiro ato do filme o negócio fica bem complicado. Frank Walker inventou uma máquina que prevê o futuro e aparentemente Casey foi a única que conseguiu desafiar a máquina, por assim dizer. E o Dr. House começa a filosofar uns negócio mei loco, que o que a máquina prevê é o futuro e não tem como mudar, mas aí a Casey conclui que a máquina na verdade é uma antena de transmissão e que dá pra mudar o futuro, mas aí o Dr. House diz que não tem e aí eu peguei minha prancheta de desenho e fui desenhar.


Não, sério, eu instintivamente peguei minha prancheta, porque eu não consegui acompanhar quase nada do que tava sendo explicado.


Agora, eles pelo menos conseguiram não deixar o quase romance entre Clooney e a andróide bizarro, a forma que eles falam deixa transparecer que Frank quando guri gordinho era apaixonado por Atena, mas que se sentiu pior não ao ser rejeitado, mas por ela ter de certa forma mentido a ele sobre acreditar nele.

Dr. House passeando na
Terra das Telas Verdes



A fotografia é bonita e ressalta a beleza das coisas criativas, mas infelizmente, a própria Tomorrowland sofre de uma falta de vida, e por ter 2 horas com personagens que seguem o padrão “ir do ponto A até ponto B>explicação>loop”, acaba sendo cansativo, e mesmo a fotografia sendo bela, a paleta de cores acaba por deixar o filme mais monótono ainda.




E quanto mais eu penso nesse filme, eu penso em outro filme que fez a mesma mensagem de uma forma melhor.






A Família do Futuro









Introdução rapidinha aqui.

A Disney nesse tempo tava passando por uma fase… Meio ruim, em termos de receptividade. O último grande sucesso do estúdio foi Lilo e Stitch, em 2002 (anterior a este, tivemos Atlantis recebido com críticas mistas e box office desapontador). Depois tivemos Planeta do Tesouro, Irmão Urso, Nem que a Vaca Tussa, e O Galinho Chicken Little, desses só Irmão Urso teve um sucesso razoável na época.

Então, um dos motivos do filme ser pouco lembrado vem dessa linha. Mas ele em si tem parcela de culpa? É… Mais ou menos.




A história conta sobre um jovem inventor órfão (chamado Lewis), prestes a desistir de continuar inventando. Até que ele recebe a visita de um carinha do futuro que diz pra ele continuar inventando coisas, e acaba o levando ao futuro. Mas um vilão típico pretende roubar a invenção de Lewis para mudar o futuro, e nesse meio tempo Lewis acaba conhecendo os Robinsons, e é aí que o filme mostra seus problemas.


Quando você para pra pensar sobre isso, parece que foi feito de algum seriado de TV (e alguns teorizam que de fato foi feito assim pra ter essa brecha), porque são muitos personagens e a todo momento eles estão fazendo alguma coisa, falando alguma coisa, interagindo entre si, e você acaba meio que perdido nisso tudo. São coisas que em teoria são memoráveis, são engraçadas, mas devido ao senso de ritmo terrível, acaba parecendo uma viagem muito loca e fora dos trilhos, no mal sentido.



No entanto, os personagens principais são simples de entender e fáceis de se identificar.



Lewis é um guri que tem um sonho, mas que como todos nós, encontra dificuldades no caminho, e sempre pensa em tentar desistir em algum ponto. Como ele não tem exatamente alguém pra estar sempre com ele apoiando ele (vão vemos a dona do orfanato fazer isso em nenhum momento, isso é), ele acaba indo nessa sozinho.

Por manter a história simples, entendemos a mensagem melhor. Foi sacrificado dois derails pra termos tempo com a família (que ainda não foi o suficiente/bem gasto, a propósito), pra que a outra mensagem também pudesse ser entregue.




No final das contas, é um filme bagunçado? É, mas pelo menos ele tentou ser interessante, tentou ser engraçado, e na maior parte do tempo, conseguiu. Até quando o filme tem surtos de DDA e fica pulando de ponto a ponto sem foco é relativamente divertido, a animação é energética, e os designs (embora não tenhamos muito tempo pra apreciarmos) são interessantes.



E por mais que a família em si seja uma bagunça, o vilão é quem realmente é lembrado do filme. Ele é tão exagerado e tão caricato e abraça tanto a ideia de ser um esteriótipo de clichê, mas ao mesmo tempo ele brinca com isso e quebra a seriedade que ele tenta fazer, e é simplesmente hilário. A comédia nesse filme é muito forte, quando ele te dá tempo pra apreciar isso, é um ritmo muito bom.




E o design de arte é lindo, a fotografia trabalha muito bem as cores, os prédios futuristas tem uma boa dose de retrofuturista, mas com um toque de originalidade… É divertido de se olhar, mas nota-se que argumentalmente não foi feito pra ser uma cidade realista (ao contrário de, por exemplo, Star Wars onde ao criar um planeta, definia-se cada detalhe geopolítico dele, ao menos nas prequels).




Uma coisa que eu só fui notar depois da observação do amigo GuinerdeS é que esse filme tem uma pegada muito DreamWorks. Depois de anos de rouba-rouba entre os dois estúdios era de se esperar que num momento de desespero acontecesse isso.


Mas… Não é exatamente algo ruim… Mas é sinal de que a Disney tava experimentando coisas novas, e nesse caso em específico, não conseguiu muito. Mas hey, é parte da mensagem do filme, keep moving foward. E é uma mensagem mais clara e passada melhor que de Tomorrowland.




Ambos os filmes tem o mesmo sentimento de que falta alguma coisa, algo não está bem polido ou concluído. Mas, se tiver tempinho, não faz mal em assistir.
(Mas graças a Tomorrowland pouco provavelmente teremos algum filme baseado no Journey into Imagination, infelizmente)

Família do Futuro prevendo o futuro.
Porque... eles são do futuro e...
...perdão.

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