Scrooged



De vez em quando passam certas pérolas pra eu resenhar. Algumas eu acabo arrancando os cabelo, batendo a cabeça na parede, e considerando seriamente em me suicidar comendo arroz com passas, de tão ruim que é a parada.

Mas outras vezes eu tenho a grata surpresa de ter um produto legitimamente bom e que me deixa com um sorriso no rosto e um pensamento no final.



E antes que isso fique piegas demais, vamos falar sobre Scrooged.


Bill Murray deve ter feito essa
exata expressão quando leu o roteiro de Garfield.

Que aqui recebeu o nome de "Os Fantasmas Contra-Atacam", com certeza se baseando na popularidade de Caça-Fantasmas da época. Como hoje Caça-Fantasmas não tem nem 1/3 da moral que tinha naquela época, eu tomo a liberdade de não usar o título brasileiro, que é bem ruinzinho anyway.

Ok, então qual o plot?


SANTA CLAUS IS COMING TO TOWN,
YOU BASTARD!
Garfield é um produtor de televisão que está preparando a grade de programação natalina. Entre os programas, há um especial onde Papai Noel usa uma metralhadora para espantar invasores, contando com a ajuda de um cara lá que eu devia conhecer mas não conheço, usando a arma de Predador.

É sério. Se esse não é o melhor começo de um filme natalino, eu não sei o que é.

Mas acontece que nosso amigo com futuros arrependimentos de ter dito "é, porque não?" pra um papel tem outros problemas pra enfrentar. Seu antigo chefe aparece, após ter morrido sete anos atrás. Ele anuncia que três fantasmas irão visitar Murray, para que possa tomar vergonha na cara e mudar a vida.



Uma das tarefas mais difíceis em uma adaptação assim é manter o espírito da obra original e ainda assim tentar ser algo próprio. A mera mudança de ambientação e época é suficiente pra tornar a história interessante, mas não é tudo. O personagem de Murray não é exatamente avarento, a ganância dele é por poder e status. Ao mesmo tempo, a forma que ele age com os outros não é tão agressiva a ponto de tu não se importar com ele. Ao menos nas outras interpretações, Scrooge sempre era mostrado como o velho sovina quintessencial, e tu só continua a assistir a obra porque se identifica e compadece dos outros personagens, bem como saber como tudo termina.


Murray tem aquele estilo de ser sarcástico, irônico, um pouco maldoso, mas ao mesmo tempo simpático e identificável, como visto em Caça-Fantasmas. Aqui ele continua com esse ar de gente boa, mas é mais porque o personagem dele precisa parecer gente boa, faz parte do jogo político do mundo dos negócios e de entretenimento. Quando a atuação exige dele uma maldade extra, ele a provide conforme o necessário. Quando ele precisa surtar, ele é convincente e continua tentando manter a pose sossegada, que dá uma mistura bacana. A edição nessas cenas também ajuda bastante a dar o clima de desconforto e confusão.




E isso também é interessante: ao invés de ter todos os fantasmas um atrás do outro na mesma noite, eles acontecem em horas variadas do dia, e ficam fazendo um joguinho psicológico com o ex-caça-fantasma. E isso funciona absurdamente bem pra história, se lembra de que é uma história de fantasma e ao menos tenta nos tirar da nossa zona de conforto, mas de uma forma segura.

Fantasmas nunca foram criaturas muito ameaçadoras mesmo.




Não só isso, mas também a forma que eles adaptaram os elementos da história foi muito inteligente. Sim, há muitos personagens que funcionam como exatos espelhos de suas contrapartes originais, mas outros personagens, como Bob Cratchit, é parcialmente divididos entre dois personagens, há mais personagens que integram a história e a tornam mais única e original. E eu juro, Marion tem um dos sorrisos e olhares mais lindos que eu já vi.

Não, sério! Ela basicamente sorri com os olhos!




As piadas no filme não são exatamente engraçadas. De fato, maior parte da comédia vem das reações de Murray (e lá pro final pro funcionário desempregado). O foco do filme é desenvolver esse personagem que de fato tem problemas como nós, e desenvolve de uma forma fantástica, como o vício em televisão dele. Não é algo muito explorado, mas é um conceito bastante interessante e que se integra bem ao trabalho dele.




Eu genuinamente procuro algo que me desagrade nesse filme e sinceramente, não consigo lembrar. Claro, tem falhas, mas os pontos positivos se sobressaem. Excelentemente escrito, excelentemente executado, e com um sentimento quente e engraçado ao final que é necessário. Provavelmente teria sido um filme muito melhor se Garfield não tivesse se desentendido com o diretor do filme, o pai do Rudolph.




...meu Deus, que piada ruim. Deixo vocês com o sorriso da Marion mesmo.


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