Wizards


Sabem como certos filmes sabem como apelar a crianças, mas ao mesmo tempo a adultos? Com termas mais sombrios como morte, separação, guerra, política, crescimento… Como Labirinto, Rei Leão, Procurando Nemo?

Esse devia ser mais um filme desses.

Mas então Ralph Bakshi.




Oh, Ralph Bakshi. O diretor polêmico conhecido por fazer desenhos teoricamente racistas e ter o primeiro desenho animado que foi o primeiro da história estadunidense a ser classificada como “adulto”, Fritz the Cat. Ele também dirigiu algumas adaptações de livros do Dr. Seuss. [Nota mental: fazer o Mês Dr. Seuss]

Also, ele também fez uns desenhos baseados em Senhor dos Anéis. Que por coincidência veio depois desse filme, em 78, e esse filme carrega um pouco desse feeling de medieval e… Oh, raios, vamos logo com isso.


A história começa meio confusa… Houve uma guerra nuclear na Terra, onde alguns humanos sobreviveram e outros viraram mutantes, e foram banidos para as sombras. Elfos, fadas e anões vivem pacificamente por 3 mil anos na terra de Montagar (porque os ancestrais dos humanos retornaram depois da guerra, ou algo assim), e no dia da comemoração dos 3 mil anos de paz, a rainha dá a luz a duas crianças magas, o bom Avatar e o maligno Blackwolf.

Ainda não estão confusos?

Depois de um tempo, a rainha morre, e Blackwolf tenta tomar o trono, mas Avatar o expulsa, e Blackwolf se torna governante de um país semi-radioativo onde ele restaura tecnologia antiga, e descobre um rolo de filme com propaganda nazista, que ele usa pra inspirar seu exército de criaturas malignas pra tomar o controle do mundo.

E você achou que eu tava zoando.

E sim, eu fiz um resumão olhando pro Wikipedia, porque, sinceramente, depois de um ponto do filme eu passei a me perguntar quem raios era Blackwolf, de tão corrida foi a explicação do plot.

Então… Por onde começar…?

Sim, o filme é criativamente estranho, quando se para pra pensar. Um cenário de fantasia pós-apocalíptica é algo extremamente plausível, se você quer usar a temática Magia x Tecnologia. E o interessante é que eles nunca vão muito longe. Por exemplo, não usando coisas do nosso cotidiano de uma forma alternativa, no estilo de Tico e Teco e os Defensores da Lei, ou As Peripécias do Ratinho Detetive. É algo mais palpável e menos exagerado, como por exemplo, há um templo religioso com máquinas de pinball, propaganda, e o símbolo da CBS. Mas eles nunca tentam dar explicações como “é apertando esses botões que eles se comunicavam com os deuses”.


E, pra um filme com pouco orçamento, os cenários são muito bons. Assim como a narração (que em alguns momentos é desnecessária, ou poderia ser descartada usando o “show, don't tell”), ela evoca bem o clima de história de fantasia, especialmente se quer passar algo meio sombrio pra crianças.

E já que falei nisso, falemos dos personagens. Temos Avatar, um mago bom, preguiçoso, mas inteligente e humano. Peace, um robô-assassino que depois é reprogramado por Avatar (ou algo assim, eles nunca explicam direito). Elfo Genérico, que eu juro que tem um nome mas que eu esqueci porque ele realmente não tem nada que o destaque, é literalmente um elfo genérico. E Elinore, que é a rainha/deusa das fadas ou algo assim. E que se veste como a Mai Shiranui.


O que é engraçado notar, porque esse filme tem mais referências a sexo e violência do que se espera. Digo, sim, é um filme de guerra, com referência a nazismo, mas tenham em mente que essa é a ideia de Ralph Bakshi de um filme pra família.



Yup.

Eu poderia dizer algo sobre isso, mas Doug e Rob Walker disseram melhor que eu poderia.

A narrativa em si tem várias falhas. Em alguns momentos personagens vem e vão sem muita explicação, alguns personagens parecem ter relevância mas foram mal aproveitados… Embora apareçam em momentos importantes.

Fora a trilhazinha de jazz que toca vez ou outra.

Ainda não justifica o jazz.
Em resumo, Wizards é… Um filme estranho. Ele tem um conceito MUITO bom, mas os personagens são planos, a narrativa é estranha, e os personagens se mexem como típicos personagens de Ralph Bakshi, como se tivessem algum tipo de síndrome que deixa eles aparentemente tão molengas e vazios como os personagens da série do Jimmy Neutron.
O que é um ponto contra, já que as batalhas ficam com 1/10 da emoção que deveriam ter.


Mas, o tanto de coisa bizarra, a criatividade visual, e o brilho de alguns conceitos faz o filme valer a pena. Fico feliz de ter visto, não sei se veria de novo.

Mais imagens:









"You know...

...a FAMILY...


...picture."




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