Josie and the Pussycats (2001)


É de conhecimento comum de que o cinema hoje tá lotado de adaptações e blablabla, eu tou batendo nessa tecla faz um ano, eu acho.

Mas na real isso é algo antigo, com George o Rei da Floresta (1997), Dennis o Pimentinha (1997) e Os Flintstones (1997). Nessa leva do fim dos anos 90 e início dos anos 2000, junto com Inspetor Bugiganga e O Grinch, veio Josie e as Gatinhas, baseado nos quadrinhos da Archie e levemente baseado no desenho da Hanna-Barbera.

Então, coloquem caudas longas e orelhas-chapéu, vamos dar uma olhada nessa obra de arte.



A história começa com uma banda ornitorrincamente noventista, que dentre  os membros de sua composição está Jon, dos filmes do Garfield, e Seth Green. A banda é gerenciada pelo Floop de Pequenos Espiões, mas quando eles começam a questionar ruídos estranhos vindo da última música, Flopp causa um "acidente" no avião e salta de pára-quedas em Riverdale, onde conhecemos Josie, Valerie e Melody, integrantes da banda indie The Pussycats.

As 3 acabam assinando um contrato com Floop e em uma semana estão no topo de músicas mais tocadas e com tanto dinheiro que poderiam comprar 3 coxinhas e duas latas de Coca na cantina da faculdade. No mesmo dia.

Melody <3


Mas Floop e sua chefe Fiona estão querendo separar a banda e focar apenas em Josie, porque Val e Melody estão se dando conta de seus planos malignos que eu NÃO OUSAREI contar aqui.
Mais tarde eu chego nisso.

Ok, como eu posso descrever esse filme?

Podemos começar constatando que nessa foto
Alexandra parece a Ana Paula Valadão.


A história não é diferente do que temos em filmes sobre bandas e segue vários clichês (como Alvin e os Esquilos e aquele acidente nuclear que foi Jem e as Hologramas),
Os personagens foram bem traduzidos pra nova mídia e época. Os quadrinhos e desenhos originais são dos anos 60/70, e algumas características foram atualizadas (pros anos 2000), mas mantendo as personalidades originais.

Por exemplo, Melody cantando "Se Você Está Feliz Bata Palmas" no chuveiro, ou Valerie sendo a mais esperta do grupo. Ao menos deram mais personalidade pra Josie aqui, porque eu nunca consegui sentir muito nos quadrinhos e especialmente no desenho.
Não que eu tenha lido muito os quadrinhos, mas ok.
Alexander e Alexandra não tem muita participação, mas foram bem representados em suas personalidades.



O que é engraçado é que, embora os personagens lembrem mais as personalidades dos quadrinhos, o plot do filme parece ser uma mistura das HQs com o desenho da HB. Todo o conceito do filme se sente mais como uma paródia que uma adaptação propriamente dita, aliás.

Pra quem não sabe, a animação tem ABSOLUTAMENTE NADA a ver com as HQs. Na mídia impressa, são histórias bobinhas e engraçadinhas, curtas, slice of life, praticamente a Turma da Tina se eles tivessem uma banda. (A propósito, nunca mais eu vi o Mauricio de Sousa comentar sobre a série live action cancelada da Tina). Em suas versões animadas em celulóide, as histórias eram basicamente Scooby-Doo com uma equipe que não era profissional em resolver mistérios. E os mistérios na real eram mais planos cartunescamente maléficos criados por cientistas malucos igualmente cartunescos, que por puro acaso esbarravam no grupo em turnê.
Tipo Tutubarão.

A série ganhou uma sequência que eu nem me atrevi a assistir, porque eu explodo em gargalhadas internas só de pronunciar o nome: Jose and the Pussycats IN SPAAAAAAAAAAAAACE.

Oh sim, e isso aconteceu....

Mas ó, os quadrinhos não ficam pra trás em termos de plots bregas sem noção. Enquanto no desenho Alexandra era só uma guria chata e debativelmente mimada, nos quadrinhos ela era isso e ainda feiticeira.
Quando eu comecei a ler os quadrinhos, eu já peguei a Era Pussycat, mas antes da banda, a revista era só da Josie. Em uma edição, explicam que o gato de Alexandra, Sebastian, era reencarnação de um ancestral da família que era feiticeiro. Quando Alexandra segurava Sebastian, ela podia soltar magia (mais tarde ela aprendeu a fazer isso sozinha). Aparentemente, só Alexandra podia fazer isso, graças à marca branca que ela e Sebastian tem.

EU JURO, PODE OLHAR NA WIKI, ISSO É REAL

...duas vezes.

O filme consegue captar esse mesmo clima de nonsense do desenho, já que o vilão e todo o plano maléfico tem o mesmo nível de absurdo dos desenhos. O que já é o suficiente pra gerar gargalhadas na platéia, já que é algo que aparece praticamente do nada (e que tem seu devido foreshadowing, no entanto), mas o fato deles tratarem tudo com uma certa seriedade me fez gargalhar tão forte e por tanto tempo que eu tive que dar uma pausa pra beber água e pegar leite com cereal.

Na metade do filme eu já havia transposto essa dimensão e sucumbido a um novo plano de realidade, onde eu pude cavalgar dragões lado a lado com Jennifer Connelly.

Outro ponto que chama a atenção é o fato dos vilões serem corporativistas gananciosos. O filme praticamente diz que grandes empresas gananciosas são DUMAL, ao mesmo tempo em que é um filme feito por empresas grandes e gananciosas e enfiam propaganda em todo lugar.


O que é mais engraçado é que o plot trata de um tipo de paranóia que existia FORTE na época (e até hoje, em medida leve), que torna o filme deliciosamente datado.

Os diálogos e pequenas gags também são marcas disso. Flopp se move muito rápido e sua atuação é caricata, bem como sua chefe Fiona. Melody é caricata, mas faz parte da personagem e ela consegue manter a personalidade mesmo em cenas mais dramáticas.
...ou o mais dramáticas que esse filme tem, mas enfim.


É como se o filme fosse uma estranha mistura do setup dos quadrinhos, mas na metade do caminho dissesse "dane-se, cadê aquele nonsense total do desenho?" e tentasse misturar as duas coisas. E embora as atuações sejam boas, eles sabem no que tão se metendo e sabem que o negócio é tentar se divertir com todo o absurdo mesmo.

Mas além disso, o filme tenta focar na demografia dos jovens adultos. Então, nos primeiros minutos do filme (e em algum ou outro momento durante a exibição) ele usa piadas e referências adultas que são tão forçadas e perdidas que chegam a ser engraçadas. É quase como certas bandas do período se esforçavam muito pra ser edgy, só que no caso é mais comédia que depressividade.

Uma das primeiras cenas do filme.
Aos 3 minutos recebeu a medalha "Guilherme Dea Levantando uma Cadeira".
Um recorde.

Em resumo, eu AMEI esse filme, de verdade. Ele é bom? Não. O plot é absurdamente nonsense; as atuações são ok, mas captam bem os personagens dos quadrinhos; as músicas são até agradáveis, de uma forma estranha (eu não sou crítico de música, então não sei dizer se de fato são legitimamente boas); e a forçação que ele faz pra ser considerado "pra adultos" é hilária de tão sem direção.

Recomendado no nível "tão ruim que é bom", mas seria interessante dar uma olhada nos quadrinhos e na animação antes, pra ter uma noção dos absurdos que fizeram no filme.



Mais imagens (e mais Melody por motivo nenhum exceto que eu amo ela):

 

 

 

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