Círculo de Fogo - Pacific Rim




MONSTROS GIGANTES E ROBÔS GIGANTES SE MATANDO!

Sério, eu passei horas pensando em como começar essa resenha, e pensando bem, dane-se! Não é um filme profundo, mas um filme simplesmente divertido, vindo de uma das mentes mais criativas que o cinema já viu, Guillermo del Toro!
Plugar comandos nervosos, preparar ignição, lançar! Isto é Círculo de Fogo! (Pacific Rim)






A história começa quando monstros gigantes chamados Kaijus apareceram do fundo do Oceano Pacífico, através de uma Fenda interdimensional. Após uma série de aparições, os Governos mundiais decidiram se unir pra criar um robô pilotado por dois humanos chamado Jaeger pra matar os Kaijus. (E sim, a primeira coisa que eles mostram é o significado de Kaiju ("monstro gigante", em japonês; e jaeger, "caçador", em alemão.)




Então as lutas se tornaram banais e os humanos se acostumaram à batalha dos Jaegers vs. Kaijus, transformando os pilotos em celebridades, e os robôs e montros em brinquedos, tênis, e aqueles programas imbecis de manhã com gente fantasiada.


Não, não tipo Ultraman. Tipo Bom Dia e Cia ou Barney.

Aliás, tudo isso é rapidamente informado ao público, o que é bom, pois estamos adentrando um mundo novo e ele nos dá a atual situação cultural, política, etc.



A história em si começa quando dois irmãos pilotos  são chamados pra matar um kaiju no Alasca, até que, após um breve momento de aparente vitória, eles são massacrados e um dos irmãos é morto pelo kaiju.

5 anos depois, os líderes mundiais chegam à conclusão de que os Kaijus estão se desenvolvendo rapidamente e que vão desativar o projeto Jaeger, mandando todos os robozões pra Hong Kong e construindo uma muralha que os proteja dos kaijus.

Agora, vamos à lógica. Sentais, Metal Heroes, e o Homem Aranha usam robôs gigantes desde os anos 70 e nunca tiveram problemas, já o pessoal de Shingeki no Kyojin...

E assim como na história com gigantes modelos de músculos humanos usados em aula de Ciências, as muralhas construídas são inúteis porque os Kaijus continuam atacando como se destruir muralhas fizesse parte do protocolo de  trabalho.

Monstros gigantes quebrando muros,
Jaegers... Sim, façam suas piadas sobre Shingeki no Kyojin.


E adivinha quem salva o dia quando as muralhas falham?

EXATAMENTE! OS JAEGERS DESATIVADOS PELO GOVERNO!

Político só faz merda, viu.


Então o marechal aparece pro piloto cujo irmão foi morto em combate e o convida para pilotar outro robô. E somos apresentados a Mako, uma japonesinha gênia muito fofinha com um cabelo estiloso; e dois estudiosos de kaiju que parecem aqueles nerdões de Ultraman e Godzilla que conhecem todos os montros de cor e salteado e se empolgam em apenas mencionar o nome de alguns monstros.



Oh e um deles parece o Daniel do Ciência em Show.

E então a história em si começa a ser desenvolvida.

E a primeira coisa que vai chamar a atenção é que os efeitos visuais são MUITO chuta-bundas. Os modelos digitais, tanto dos montros como dos robôs são riquíssimos em detalhes, visual e criativamente. Os robôs tem características vindas de cada país. Por exemplo, os robôs russos lembram os veículos de guerra usados pelos russos; o robô austaliano é o mais moderno, mais legal, mais rápido, e caça jacarés com a mão; e o robô dos americanos é... Bom pra fazer bonecos...?


Destaque também pro visual dos monstros. Del Toro quis fazer uma homenagem principalmente a Godzilla, então todos os monstros surgem do mar, assim como nosso velho amigo calangão. Mas, ao invés de serem mutantes, são aliens de um mundo cujo portal se abriu no fundo do mar (e segundo nos é mostrado no filme, tem muito mais por trás disso e eles são mais inteligentes do que pensamos).


Como eles se locomovem no mar, eles lembram vagamente peixes, tubarões, e animais do tipo. Aliando isso ao fato de que a Fenda se localiza no fundo do oceano, os monstros tem luzes fosforescentes, o que não apenas ajuda a nos localizar durante as lutas, como também acrescenta uma dose de beleza em contraste com a ferocidade e o perigo que demonstram.




Os efeitos visuais se destacam nas lutas, assim como em Transformers. Merecida atenção, já que ambos os filmes se focam em combates envolvendo robôs gigantes. (ERRATA: A saga dos filmes Transformers dirigido por Michael Bay não se focam em lutas de robôs gigantes, mas sim em mostrar a pele da Megan Fox. Peço desculpas pelo erro.)

O que ouço muita gente falar é que os robôs de Círculo de Fogo são mais críveis porque o peso deles é mais realista que a saga BA-BOMB de Michael Bay. Aí eu lembro que TRANSFORMERS e então todos os argumentos vão por água abaixo. (Mas se quer um argumento convincente, os robôs de Bay usam o conceito de "aliens", então, vindos de outro planeta, o material que os constitui é mais "orgânico" e leve.)



A música nas cenas de ação é simplesmente fabulosa e cheia, casando perfeitamente com a imagem grandiosa e poderosa dos Jaegers, além do peso da sua responsabilidade.

Destaque também para os cenários, que sim, utilizam muita tela verde, mas se misturam aos atores de uma forma orgânica e são belos por si só. Sem falar no traficante de órgãos de kaiju Zé Mayer com seu palácio cheio de órgãos pulsantes e personalidade e caracterização exageradas propositalmente.
Inclusive há uma cena depois dos créditos com ele, que eu jurava que seria uma referência ao Godzilla com Jean Reno. Mas é até engraçadinha.

O que um barbeador não faz.

Os personagens, a princípio, não parecem possuir um desenvolvimento muito palpável (especialmente o protagonista), mas ele existe, e mesmo que lentamente, passamos a gostar de uns e odiar a outros. Os personagens são desenvolvidos o suficiente pra que no mínimo torçamos por eles durante a luta (claro, somado ao fato de que eles são praticamente foras-da-lei e que a existência da Terra e da humanidade depende do sucesso deles).



Raleigh e Mako parecem bons candidatos a possuírem um relacionamento amoroso, mas é tudo muito bem construído, desde a simpatia inicial até os primeiros e fortes sinais de amizade e companheirismo. No entando, é interessante frisar de que eles de fato nunca assumem nada. O máximo que dá é pra shippar os dois, mas nada nos é mostrado. De fato, o relacionamento deles parece muito mais com o de irmãos que não brigam constantemente.



...sim, eles são um dos poucos casais da ficção que eu shippo. Eu costumo shippar mais pessoas do meu convívio dirário.
E não me olhe desse jeito! Eu sei que você também faz isso!


Outra característica interessante de Mako é que ela é uma personagem forte, e nunca menosprezada por ser uma mulher. Ela é tratada como qualquer outro piloto, e nunca subestimada. E se alguém menosprezar ela, ou ela vai dar uma surra colossal no indivíduo, ou Raleigh fará isso (talvez pra nos lembrarmos que ele é o homem e que ele sente que deve proteger Mako).
Ou os dois juntos, sei lá.



As atuações são do nível. Raleigh parece o típico jovem impetuoso que quer fazer o certo, mesmo que pareça (ou seja) errado aos olhos dos outros, e se seu personagem não é muito profundo, a culpa é do roteiro.



O marechal tem uma atuação formidável como o típico militar no comando de uma operação colossal, mas à medida que a narrativa avança, percebemos que ele esconde algo a mais, seja sua história ou verdadeiras emoções. Assim como Mako, que tem uma belíssima atuação que não lembra aquele estilo japonês de atuar (estranhamente).

 A propósito, Mako é interpretada por Rinko Kikuchi, que fez Ryou Katsuragi em Liar Game.

Essa mocinha aqui.


Sim, ela é minha prima distante.

O mais interessante do filme é que ele é realmente uma homenagem aos filmes de monstros gigantes, não só Godzilla. Inclusive, quando eu vi as cenas de luta no meio das cidades, com os prédios sendo destruídos perfeitamente, a primeira coisa que pensei foi "esse cara pegou os papelões irreais e transformou em serious business". Digo, a destruição é tão real, mas tem um feeling tão tokusatsu, que qualquer um que goste de coisas gigantes se matando (Seja em animação ou com fantasias de borracha e maquetes) irá se deleitar nessas cenas.



Em outras palavras, o que eu entendi que o diretor fez aqui foi responder à pergunta: "o que aconteceria se "Godzilla" fosse realista (tanto visual como narrativa)? Como seria a política, economia, cultura, etc?" E acredito que ele respondeu bem.

E na verdade, é pra isso que o filme serve: mostrar coisas gigantes se matando. Sim, o roteiro é muito bem construído, se leva a sério, mas não tão a sério (o clima de seriedade se deve mais à fotografia e ao clima geral). É tanto que as referências estão lá (exceto a Evangelion, os produtores viram Evangelion bem depois de iniciado o projeto), mas nunca serão diretas. E ainda ousam em novas ideias, como cada piloto comandar um hemisfério do "cérebro" do robô (que foi uma maneira inteligente de se aprofundar no passado e emoções dos personagens sem precisar de excesso de diálogos, sem contar que é uma ideia usada com outros propósitos no filme, fora o de comandar robozões).



Cícrulo de Fogo não é um filme cerebral, mas também não é burro. Sabe por onde vai, sabe por onde guiar os personagens, as cenas de ação. Sabe que é uma homenagem a uma penca de outras produções, mas ainda assim tem identidade própria, com execuções e ideias novas. Enfim, é um daqueles blockbusters de ação em que, ao contrário de Transformers, você não precisa desligar o cérebro pra assistir e aproveitar o filme.

Convenhamos que pra ver Transformers precisamos remover o cérebro, de fato.
E falando nisso, esse filme também mostra o que Transformers poderia ter sido se não tivesse perdido tanto tempo mostrando a Megan Fox seminua ou piadas e momentos idiotas e totalmente desnecessários.



Se você gosta de monstros gigantes, ou simplesmente ação frenética e bem-feita e com um roteiro que não é idiota, assista Círculo de Fogo. Certamente ver coisas gigantes se matando enquanto destroem parte da cidade vai te desestressar um pouco.

Mais (MAIS?) imagens:




















0 comentários:

Postar um comentário