[Tio Walt - Parte 10] O Fim de uma Era


Prosseguindo com os live-actions, eu escolhi um que tem um nome boboca mas que tem um conceito que eu pessoalmente adoro: pequenos serezinhos humanóides mágicos.
Fadas, leprechauns, e agora gnomos.


Então, vamos dar uma olhada em Gnome-Mobile.



Que, na terrinha do Mike de Mosqueiro, teve dois nomes distintos: o nome coerente, lógico, "Eu Acredito em Gnomos". Mas provavelmente pra não ser confundido com um filme de 1995, no IMDB o nome é O Feiticeiro da Floresta Encantada, que só não é um nome mais nada a ver do que Blair Witch 2: The Book of Shadows porque de fato temos uma floresta encantada, mas nem sinal do tal Feiticeiro. É o Gnomo avô? Porque ele seria um feiticeiro? Ele é um gnomo, não um mágico. Seria o businessman que tenta ajudar os gnomos, numa interpretação poética? Bem, ok, mas ele não mostra jeitos de Feiticeiro, tampouco habita a Floresta Encantada.

Eu nem comecei a falar do filme e eu já divaguei. Talvez porque seja um filme tão maçante que-oh, vamos logo com isso.



A história começa quando DJ Mulrooney, um empresário do ramo de lenha, recebe seus netos (os guris de Mary Poppins) pra um tempo de férias. Ele os leva a uma floresta de sua propriedade pra um piquenique, mas encontram os dois últimos gnomos, Jasper e seu avô Knook. O velho gnomo está profundamente triste porque ele e seu neto são os últimos de sua espécie, e Jasper não tem nenhuma esposa pra lhe dar netos nem continuar a linhagem. DJ e os guris se oferecem pra levá-los a outra floresta em busca de mais gnomos, e várias coisas acontecem durante o percurso e... É... é bem previsível.


Uma das poucas coisas boas do filme é o design de produção. Olhe esses cenários, eles são muito lindos e variados, mesmo sendo de um único lugar. Eu não ligo se forem falsos, as cenas na floresta são muito agradáveis e tem um clima muito bom. E a atuação das crianças também melhorou bastante, com o menino conseguindo até fazer um sotaque britânico melhor, e tanto ele como a garota mostram mais emoções, mesmo que o roteiro não lhes dê muitas oportunidades.

Entretanto, todo o resto é ridiculamente esquecível.


Ao contrário de Darby O'Gills, que tentava desenvolver os personagens, seus dilemas, seus problemas, como iriam superar as dificuldades, aqui vemos personagens indo de ponto A ao ponto B, com pouca ou nenhuma substância entre os dois.

E o pior é que, argumentalmente, a narrativa faz sentido. DJ pede ajuda de seus empregados com os gnomos, e eles o mandam a uma clínica de loucos, e os seus netos tem que invadir e resgatar o avô. Bem, ok, mas isso leva um longo tempo do filme onde poderíamos, sei lá, estar desenvolvendo os gnomos, que são personagens bem mais interessantes.


Knook (que é interpretado pelo mesmo ator de DJ, obrigado IMDB, parabains pro ator e pra maquiagem) tem uma mágoa de humanos em geral, em especial de DJ, porque foi a empresa dele que causou uma destruição na floresta há muitos anos, que causou a diminuição de gnomos e quase que Knook e Jasper não sobrevivem.

Embora Knook seja um personagem bastante cômico (por seguir o trope do velho que meio que parou de se importar com tudo e age como caipiras texanos e o Sílvio Santos), as coisas que ele descreve lembram muito o de um ambiente de guerra. Ele protegeu Jasper quando ele ainda era um bebê das árvores caindo, passando inclusive 40 dias debaixo de uma das árvores. O que mais aconteceu nessa época? Como viviam os gnomos antes disso? Sei lá, o filme tá mais interessado no outro subplot do dono de um circo de horrores que captura os gnomos pra ser uma atração. E é mais um subplot demorado, arrastado, pouco divertido, e que no final acaba sem muita conclusão.


O filme só fica interessante mesmo lá pro final, quando vemos os outros gnomos e o jogo pra ver quem vai casar com Jasper. Que é legitimamente uma cena totalmente divertida e criativa. De fato, o plot principal (achar outros gnomos e uma esposa pra Jasper) acabou se tornando meio que o subplot do filme. O que resume bem: o filme é extremamente sem foco, e até os próprios atores parecem sofrer dessa falta de foco.

Exceto talvez Jasper, DJ/Knook e Ed Wynn, em seu último papel antes de seu falecimento. Mas apenas em alguns momentos podemos ver algo de interessante com os personagens, mas por Deus, os atores tentam tirar leite de pedra e fazer algo de interessante com eles.

Aliás, a melhor forma de resumir esse filme é com a música The Gnome Mobile, composta pelos Irmãos Sherman. De longe, é o trabalho mais fraco deles: extremamente repetitiva, sem criatividade, e levemente forçada.

Esse é definitivamente, um dos filmes mais entediantes do estúdio, e um forte candidato a passar longe.


Mas, felizmente, a divisão de animação continuava a todo vapor. Após a recepção morna de A Espada era a Lei, Bill Peet, que já trabalhava pro estúdio desde Pinóquio, fez alguns rascunhos pra uma adaptação de O Livro da Selva, de Rudyard Kipling. Bill passou um ano trabalhando e refinando a história. Entretanto, Walt não gostou do resultado, que era muito fiel ao livro, e Bill se demitiu do estúdio após isso. 

Walt então convocou uma reunião com sua equipe:


Walt: Ow, alguém aqui leu o Livro da Selva?
Animador: Ééé... Só aquele filme com um carinha indiano lá.
Walt: Não, mah, o livro mesmo, cês já pegaram o livro pra ler?
*silêncio na sala*
Walt: Ótimo, não quero que o filme seja nada parecido com o livro.


Walt também chegou no animador Jerry Clemmons, que iria chefiar a história no projeto. Ele golpeou sua nuca com o livro e disse "Tá aqui a porcaria do livro, tudo que eu quero que tu faça é que não o leia", e deixou o pobre animador com um galo na cabeça desmaiado em cima de sua mesa.


E nota-se que é uma versão estupidamente oposta ao livro. Mas isso não quer dizer que seja um filme ruim.


A história conta sobre Mogli, um menino abandonado na floresta, que com a ajuda da pantera Baguera, é adotado por uma família de lobos. Mas o tigre Shere Khan está de volta à selva, e quer matar Mogli antes que ele cresça e vire um caçador. Baguera tem então que levar Mogli pra aldeia dos homens, mas o menino só quer ficar de boas na floresta com seu amigo Baloo, o urso vagabundo. No caminho, Mogli terá que enfrentar uma cobra hipnotizadora, macacos que cantam jazz, e o próprio Shere KHAAAAAAAAN!

KHAAAAAAAAAAAAAAAAN!
Esse é mais um dos poucos filmes Disney com o qual eu tenho uma relação muito pessoal. Eu assistia em VHS com meu pai, e ambos gostávamos tanto desse filme que ele passou a me chamar de "filhote de homem", e eu o chamava de "papai urso". Se não me falha a memória, era um VHS alugado, então eu não podia assistir sempre. Mas eu tinha um jogo em DOS instalado no meu Windows 98, aquele da Virgin, que teve até uma versão (na minha opinião) mais fraca pro Mega Drive.

Mas eu posso tar deixando a nostalgia falar mais alto, na prática as duas versões são exatamente iguais.


Então, você imagina que eu tenha uma paixão muito apegada a esse filme, certo? Que eu o ame incondicionalmente e blablabla.
Éééé... Não exatamente.


Em um caso estranho, eu não consigo mais sentir muita nostalgia desse filme. Provavelmente por não ter assistido tanto na infância, ou simplesmente por ele ter ficado datado.

A narrativa é eficaz e consegue equilibrar os momentos de ação, diversão, prosseguimento da história de uma forma que não é muito distrativa. Mas quando tu para pra pensar bem em alguns aspectos, tu começa a notar as falhas, como por exemplo, os elefantes são um tanto quanto inúteis, mesmo que no final eles recebam a tarefa de achar Mogli. Mas eles são personagens tão agradáveis que nem chega a incomodar.

E sinceramente, todo o filme tem tantos elementos divertidos que não dá pra reclamar. Raio, esses personagens são tão fortes e identificáveis que a mera interação entre eles é interessante. Provavelmente por isso que tivemos alguns spin-offs, como Jungle Cubs e aquele outro completamente fora de contexto, TaleSpin.


Mogli é um moleque típico: ele não tem noção de como o mundo funciona, nem as consequências de seus atos. E faz birra pra que sua vontade seja feita, e só aceita seu destino quando aparece uma guria bonitinha cantando, e ele imediatamente se torna um bobão que faz tudo o que ela quer.
Tipo na vida real.


Baguera é a voz da razão, o cara que tenta fazer o melhor possível pra Mogli porque se sente guardião dele. Baloo é praticamente o Mogli crescido, só que ele consegue se virar melhor na floresta porque ele é um urso. Mas ao mesmo tempo ele também tem dificuldade em aceitar as resposabilidades que a vida bota na frente dele, mas encara quando precisa. Ele é basicamente aquele teu amigo estudante de filosofia perto de ser jubilado na faculdade, mas que quando precisa resolver um problema no cartão de crédito ou uma multa de carro, ele sai da zona de conforto e vai resolver.
Essa é provavelmente uma das 10 piores analogias que eu fiz na vida, mas enfim, são uma hora da manhã e eu tou com fome.


Os outros personagens também são incrivelmente memoráveis: Kaa é uma cobra hipnótica que tenta engolir Mogli; os elefantes agem como militares da selva, que passam o dia a destruir tudo que veem pela frente (eles até cantam sobre isso, na dublagem brasileira esse aspecto não fica muito claro); os abutres mantém aquele aspecto meio sombrio que se espera dos animais, mas acabam mostrando como podem ser amigáveis; e claro, Shere Khan, que é de longe uma das melhores coisas do filme. O design, a animação, a voz, tudo é no ponto perfeito que o personagem pede. Eu adoro como ele consegue ser ameaçador e encantador ao mesmo tempo, é quase o mesmo conceito da Malévola, incluindo a motivação um tanto quanto fraca ou pouco desenvolvida.

Mas provavelmente meus personagens favoritos continuam sendo os macacos. A energia, o jazz, a animação, o carisma, tudo é muito massa de se ver. E sim, eu fiquei um pouco desapontado com a forma que eles foram mostrados no remake de 2016, mas eu ainda gostei como ficou impressionante e massivo. Mas deixa pra outro dia.
A propósito, os macacos são personagens totalmente originais.

Por algum motivo eu sempre gostei
desse sidekick.
A animação em geral tem seu trunfo. Finalmente o processo de xerox foi refinado e os personagens continuam com o aspecto "sujo", mas ao invés de um erro parece mais parte do estilo. Eles se movem com naturalidade e vivacidade, e em especial eu adoro a animação da Kaa, ao mesmo tempo em que ela consegu ser ameaçadora e engraçada, os animadores conseguem dar peso a ela, é fantástico.

Also, os cenários são alguns dos mais detalhados e lindos que o estúdio já produziu, sem brincadeira. Eu adoro como eles mostram diferentes partes da selva com tons vibrantes, mas também mostram o lado mais perigoso, misterioso, ou mesmo melancólico da selva.


Embora seja totalmente o oposto do material original, Mogli – O Menino Lobo (como é conhecido o filme no Brasil do temaki de acarajé) é incrivelmente divertido. Entretanto, ele carrega um pouco os elementos datados como a narrativa. Curiosamente, o jazz continua atemporal, mas os abutres poderiam muito bem antiquar o filme, já que os Beatles tavam na lista pra viverem os personagens. O design, sotaque e até a música  seria inspirada pelo grupo britânico, mas João Lendo vetou a ideia, e mandou que Disney procurasse o Elvis.

Seja lá o que ele quis dizer com isso.

Os abutres então se tornaram um quarteto de barbearia, mas o sotaque e os designs permaneceu. Um personagem da sequência também foi cortado: Rocky o rinoceronte, porque Walt não queria duas cenas cômicas muito próximas, e eu pessoalmente acredito que a cena em si precisava mesmo ser um pouco melancólica.


O final também foi alterado, originalmente seria mais longo e teria mais subplots, com Mogli indo pra aldeia dos homens, voltando, sendo seguido por um caçador, tesouro no templo, e uma luta bastante fraca contra o caçador e Shere Khan. Embora ele seja bem mais fechado e argumentalmente mais satisfatório (nós de fato vemos os resultados das ações de Mogli e dos outros personagens), ele arrasta demais a história e parece meio perdido. O final que recebemos pode ser um pouco brega demais, mas termina em uma nota perfeita e do modo perfeito, como o próprio Ollie Johnson depois disse, "grazadeus que Walt não me ouviu [pra mudar o final]".


Jungle Book é um clássico Disney, mas o produto final é bem abaixo dos outros filmes do estúdio. Ele é divertido, sim, mas não tem toda aquela grandiosidade que você normalmente associa a Disney. Mas eu acredito que seja uma marca de seu tempo, um tempo em que o estúdio estava se recuperando de uma crise financeira, e tentava agradar mais ao público, o que acabava datando levemente seus filmes. O que é algo meio hit-and-miss, ou tu faz algo como vinho, ou algo que é tão antiquado que acaba sendo intragável. Ao menos Jungle Book consegue ser divertido, especialmente pra crianças. É um filme colorido, musical, mas que ao mesmo tempo não tem medo de ficar um pouco mais melancólico e triste.


E alguns anos depois, veio o filme que começou a Era de Bronze Disneyana: The Aristocats (na terra da tapioca com carne de sol, Os Aristogatas).


A história narra as aventuras da gata Duquesa e de seus três filhotes, que moram com uma atriz de teatro aposentada. O mordomo se livra dos gatos pra poder entrar no testamento da madame, mas os bichanos encontram Thomas O'Malley, um gato de rua interpretado pelo Baloo, que os ajuda a voltar pra casa e se livrar do mordomo.

O filme não tem nada demais e é bem direto. Não há reviravoltas, um grande vilão, muitos momentos memoráveis. As únicas coisas que valem a pena mencionar são a animação, que consegue ser fofa; a música, porque... bem, jazz e animação, a chance de dar errado é mínima; e uma ou oura cena de ação entre o mordomo e dois cachorros com nomes de generais.


A história e a comédia parece ter sido feita pra crianças muito pequenas, o que é uma pena, vindo da Disney. Na real, quanto mais eu penso nisso, mais eu lembro de Nem Que a Vaca Tussa, mas divago.

Os personagens são carismáticos, mas planos; o plot é simples e sem muito progresso; e... É, é basicamente um filme pipoca.

Agora, a animação por algum motivo tá mais suja que Jungle Book. Não sei se foi pelo orçamento, ou pressa de fazer, mas tu nota que já não tem o mesmo refino que seu predecessor. Mas isso não chega a incomodar tanto, uma vez que os cenários em si são muito detalhados, mas ao mesmo tempo tem uma vida neles. É como os cenários de 101 Dálmatas, só que tentando ser mais verossímil, e funciona muito bem junto da animação.


De resto, 3 cenas são memoráveis, mas eu digo isso: sendo a terceira vez que eu vi esse filme... Foi melhor do que as outras. A primeira foi em 2010, em uma manhã de sábado em que eu acordei cedo demais, fui ver TV Globinho e lá tava passando Aristogatas (se eu não me engano, A Espada era a Lei passou antes ou depois, mas não tenho como confirmar). Depois foi ano passado, creio eu, e eu achei um saco. Já agora... Eu consigo apreciar melhor o design de cenário, o jazz com animação divertida, uma ou outra cena que desenvolva o romance entre O'Malley e Duquesa (que é supreendentemente interessante, mas menos desenvolvido do que deveria).

Mas eu estaria mentindo se dissesse que eu não vejo as falhas. Eu vejo, e são gritantes. A narrativa é meio sem foco, os personagens são rasos, e embora sejam personagens fofos e animados de uma maneira fofa, não tem muito propósito pra isso. É mais um filme pipoca pra entreter crianças, mas não é o que tu espera quando se ouve "Disney".

Mas, por outro lado, TODO MUNDO
Mas, infelizmente, Walt não pôde ver a estréia desses filmes. Em 15 de Dezembro de 1966, 10 dias após comemorar seu aniversário de 65 anos, Walter Elias Disney falece de câncer de pulmão e de colapso circulatório. Anos com o vício de fumar o levaram a óbito, pouco tempo antes de ser inaugurado o Projeto Florida, onde ele pretendia fazer uma espécie de vila-modelo pro futuro, que acabou servindo de inspiração pro EPCOT. Em homenagem ao seu irmão, Roy Disney (que se tornou CEO da companhia) terminou o projeto na Flórida como um parque-resort com o nome de Walt Disney World, em 1 de Outubro de 1971. Em 20 de Dezembro do mesmo ano, Roy se juntava a seu irmão mais novo.

O último filme a ser totalmente supervisionado por Walt foi Jungle Book, mas ele teve dedo na produção de Aristogatas e nas fases iniciais de Bernardo e Bianca.

O impacto que a morte de Walt teve no mundo foi avassaladora. Walt era (e ainda é) considerado um dos homens mais visionários de seu período, assumindo vários papéis, de animador, dublador, produtor, a apresentador e homem de negócios, sempre buscando e treinando pessoas, insultando-as a tentarem melhorar em suas próprias áreas.


O sucesso financeiro de Jungle Book e The Happiest Millionaire (último filme de fato produzido por Walt) garantiu ao estúdio e seus empregados uma certa segurança de emprego, mas a companhia agora estaria nas mãos de gente que, embora tenham sido treinados pessoalmente por Walt e Roy, não seriam mais membros da família Disney: Donn Tatum, Card Walker, e o genro de Walt, Ron Miller. A partir daí, os rumos da companhia, que tinha-se a imagem de um reinado, com várias áreas supervisionadas pelo rei Walt, agora tomaria mais ares de uma empresa, prosseguindo com seus planos de expansão intermináveis.

A Era de Bronze começa oficialmente em Aristogatas, o primeiro longa animado a ser lançador após a morte de Walt. E a partir daí, o estúdio começa uma guerra pra tentar sobreviver, enquanto amargava derrota atrás de derrota.


Walt é uma figura controversa no meio artístico. Claro, as acusações de racismo e anti-semitismo hoje são infundadas e quase risíveis, quando se estuda um pouco mais a fundo sua vida e obra. Como eu tentei fazer nessa série, aliás. Eu não cheguei tão fundo, e nem pretendo dizer que essa humilde retrospectiva seja a retrospectiva definitiva de Walt Disney. Mas eu pude ver alguns aspectos de Walt e eu tenho meus dois centavos de opinião sobre o cara.


Todo aquele que tem um sonho grande tem algo em comum com Walt, não dá pra não se identificar com o cara depois de ler algumas biografias e trivia sobre ele. Menino do interior, que queria trabalhar com arte, tinha amor pela arte. E queria passar esse amor a outras pessoas, fazer arte do jeito dele, mesmo que fosse mais difícil. Porque ele acreditava no potencial do seu produto. Raios, ele PRECISAVA acreditar em Branca de Neve e na sua equipe, caso contrário era fim do jogo. Ele batalhou pelo que acreditava, pelo que queria. E, querendo ou não, chegou no topo do mundo.

Relatos dizem que, pessoalmente, Walt era extremamente tímido e inseguro. Eu totalmente acredito, especialmente quando tu chega a um ponto onde teu rosto, tuas criações, o teu nome são falados e conhecidos no mundo inteiro, e qualquer deslize é imperdoável. É necessário criar uma persona, e talvez por isso a idéia de teorias da conspiração e boatos de racismo, anti-semitismo, e até de orgias entre os funcionários seja tão apetitosa a algumas pessoas.


Walt era, como quase todo grande artista, um pouco de tudo. Assim como Jim Henson, Michael Jackson, Sílvio Santos, Mauricio de Sousa, ele tem um pouco de artista, de ator, businessman, e entende todos os processos necessários pra sua arte acontecer, e procura as melhores pessoas do ramo e as treina, e as incentiva a irem além.

Walt não era necessariamente um bom artista, mas ele tinha um bom olho e sabia liderar uma equipe, e expressar as idéias que ele queria pros filmes. Ele tinha paixão pelo que fazia, e procurava fazer melhor que os outros do seu ramo.

Ele moldou não só a forma como o mundo via animação, entretenimento, ele ajudou a moldar uma cultura, uma Era, e até hoje nós voltamos às raízes e vemos seu nome em destaque, e sua história nos dá inspiração pra irmos além, pra melhorarmos como profissionais e até mesmo como humanos.

Mesmo sendo um dos homens mais influentes do mundo, sua filha Diane relata que seus gostos alimentares eram simples, como hamburguer, omelete, batata frita. Sua esposa dizia "porque eu deveria planejar um jantar quando eu sei que o que ele quer mesmo é espaguete enlatado?". Ele ia buscar suas filhas no colégio até elas terem idade de dirigir. Walt sentiu aquela tensão que todo pai sente na hora de entregar sua filha em casamento.

No fundo, ele era um homem simples, mas tinha que balancear com a persona amigável e extrovertida pro público, sem esquecer de sua família e daquela criança que agora tinha uma cidade do jeito que ele queria, onde ele poderia andar de trem a hora que quisesse, bem como passear no caminhão de bombeiro antes da tal "cidade" abrir ao público.

Walt com um de seus netos, em um... Domingo no Parque.
HÁÁÁÁÁ
Há quase um ano atrás, eu tive um surto de desânimo. Vocês sabem um pouco da história. Tudo dando errado na minha vida, uma coisa atrás da outra. Coisas pequenas, mas que eram empecilhos. Por qualquer motivo, eu comecei a pesquisar mais sobre Walt Disney, a pessoa por trás do estúdio. Eu decidi fazer essa retrospectiva depois de ler a primeira frase de uma lista de quotes do homem: "O jeito de começar é parar de falar e começar a fazer". Eu imediatamente parei e comecei a pensar nessa frase. Em como eu tava procastinando, deixando de fazer certas coisas porque eu não tinha a mínima disposição ou coragem pra fazer. Coisas que não eram obrigação, mas que eram mais hobbies.

Era um dos dias que eu tava quase surtando já, eu imprimi a tal frase sobreposta a uma imagem de Walt desenhando o Mickey e colei na parede, logo acima do meu monitor. Foi um impulso, sem pensar. Eu não me preocupei se o wi-fi ia cair, ou se não tinha tinta na impressora, ou se a impressão não ia sair por qualquer motivo que fosse. Eu só fui lá e fiz. E até hoje essa imagem tá constantemente no meu campo de visão, me insultando a seguir em meus projetos.


E foi nesse momento que eu decidi fazer essa retrospectiva. Tanto por ser um dos nomes mais importantes em termos de cinema e cultura, mas também pra mostrar que grandes talentos podem surgir de qualquer canto. Claro, talentos com a mesma importância ou capacidade de expansão de Walt nos tempos de hoje seja muito difícil por uma variedade imensa de fatores,  (um dos mais próximos que eu consigo pensar é Jim Henson) mas não se sabe o que o futuro espera.

Controverso ou não, Walt mostrou que, pra realizar seus sonhos, você precisa correr atrás. Fazer alguma coisa. E eu não vou agir como se fosse algo fácil, cada um de nós tem suas dificuldades. Mas eu quero deixar registrado a trajetória de Walt como um exemplo a todos que tem objetivos altos. Ou mesmo objetivos pequenos. Você só vai chegar mais perto deles, quando parar de falar e começar a andar. 


E não tem problema de sonhar alto e começar com projetos pequenos. Afinal, tudo começou com um rato.


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