[Tio Walt -Extra] Disneyland


Como eu mencionei na Parte 6 de Tio Walt, Walt Disney tinha a pretensão de criar um parque temático para que famílias pudessem passar momentos juntos, e os pais pudessem se divertir com suas crianças.

Mas obviamente, era um projeto caro demais, então, ele cria a Disneyland Inc. com a emissora ABC, e o projeto começa a andar.

Este artigo é o básico sobre a Disneyland, sobre sua fundação, filosofia e atrações. Obviamente, porque eu não tenho condições de resenhar o parque todo, mas se quiserem ajudar mandando a gente pra lá, tamos aí.
Muito do que eu vou comentar vem da Disney Wiki, porque é basicamente a melhor fonte que eu tenho sobre a história do parque.



Walt queria um parque que pudesse ser agradável para as famílias, que fosse divertido pra todas as idades, e como um bom empreendedor, pensava no diferencial: ser um lugar constantemente limpo, ao contrário dos parques itinerantes, que viviam sujos, mal tratados, e vira e mexe causavam alguma fatalidade.
Como os parques itinerantes que ainda existem por aqui, aliás.

A idéia de Walt envolvia um parque sem atrações "radicais", algo mais tranquilo mesmo. Obviamente muita gente foi contra, mas nada abalaria o senhor Elias, não depois de Branca de Neve.
Obviamente com o tempo ele acabou aceitando a idéia de atrações mais radicais.


Walt também recebia cartas de fãs pedindo pra conhecer os estúdios, mas sempre achou que seria monótono demais pra visitantes. O que é meio irônico, já que posteriormente surgiria um estúdio-satélite, o Walt Disney Feature Animation Florida, que além de fazer produções pro próprio parque, fez alguns curtas de Roger Rabbit, muitas cenas de Bela e a Fera, Aladdin, Rei Leão, Pocahontas, Corcunda de Notre Dame, Tarzan, Bernado e Bianca na Terra dos Cangurus, além de três filmes inteiros: Lilo e Stitch, Mulan e Irmão Urso.


Mas ele queria passeios de barco, algumas áreas temáticas pra crianças brincarem. O design seria influenciado pelos Jardins de Tivoli e Children's Fairyland, e ao fazer uma rápida pesquisa no Google, nota-se as semelhanças com o parque do nosso bigodudo favorito.
Aos poucos as idéias foram crescendo, e antes que Roy desse outra bofetada em seu irmão mais novo, Walt foi atrás de patrocínio, e fechou um acordo com a emissora ABC: Walt teria um programa na emissora, exibindo novos materiais (como Davy Crockett, Johnny Tremain, e Moochie of the Little League); bem como os filmes animados e prévias dos filmes que estavam sendo feitos. Em troca, a ABC ajudaria a financiar o parque.

Mais tarde, a parte da ABC sobre o parque seria comprada, e depois a própria emissora passaria a pertencer à Casa do Rato.


Walt comprou uma plantação de laranjas pra expandir o território que viria a ser o parque, completo com trens que rodeavam o parque, pelo simples motivo que Walt Disney era um otaku por trens.
Não, sério, o cara atingiu um novo patamar de felicidade ao instalar uma ferrovia em miniatura no quintal, incluindo um túnel passando por debaixo das intocáveis e sagradas flores da Sra. Disney. Claro que Walt colocaria um trem na Disneyland.

Ward Kimball, um dos Nove Anciãos originais, era entusiasta de ferrovias, assim como Walt. De fato, Ward também era maquinista, ele e sua esposa foram os primeiros cidadãos americanos a terem uma ferrovia particular em casa. Ward ensinou Walt a pilotar o trem, e ele conta que Walt praticamente virou menino ao conseguir botar o bicho pra andar e tocar a buzina do trem.

É buzina que chama né? Ou é apito? Sei lá.

Este é o retrato de um homem
realizado na vida.
Mas o primeiro dia foi um desastre. Conhecido como Black Sunday, o dia 18 de Julho de 1955 viu congestionamento aos arredores do parque, um vazamento de gás fechou 3 das 4 Lands principais, um calor de 43 graus Celsius (o que quase deixou Disneyland no patamar de Sobral), e o fato de terem sido convidadas 11 mil pessoas, e apareceram 28 mil, o que deixou o maior parque temático do mundo pau a pau com eventos brasileiros de otaku.
Walt teve que arrumar todos os problemas e fazer outra abertura fechada pra imprensa, amigos próximos e de Hollywood, como Ronald Reagan.

Nos anos 90, a Walt Disney Company comprou uns terrenos ao redor que eram habitados por hotéis baratos e trailers, que eu imagino que seria o equivalente à favela daqui. Com isso, construiu-se os próprios hotéis e agora a Disneyland tinha também um resort pra chamar de seu.

Sim, eu sei, esse resort fica em Orlando.
Botei por nenhum motivo exceto que
ARIEL GIGANTE.
Entretanto, problemas aconteceram nos anos 90. Liderados por Cynthia Hariss e Paul Pressler, o parque começou a desandar. Restaurantes temáticos foram fechados e substituídos por carrinhos de comida; lojas perderam seus produtos relacionados à sua área; e atrações clássicas em perfeito funcionamento foram aposentadas. Submarine Voyage, baseada em 20 Mil Léguas Submarinas, saiu de cena durante essa gerência, que passou a focar mais em venda de quinquilharias do que com a satisfação dos visitantes. Aliás, a estratégia agressiva de ter uma loja de souvenires logo após a saída de uma ride começou aqui (até onde eu pesquisei, mas há relatos de visitantes nos anos 70 com uma lojinha no final de Piratas do Caribe. Pode ser memória falha, então não posso confirmar nada).

A própria infra-estrutura dava sinais de descaso, com lâmpadas queimadas, pinturas descascadas, e o foco nas lojas fazia com que o parque se parecesse mais com um shopping.


Em 98, o descaso da dupla de gerentes causou duas mortes de visitantes, e vários outros feridos, devido à má manutenção de atrações. Só em 2003 Cynthia e Paul entregaram os cargos e foram trabalhar na Gap, enquanto Matt Ouimet assumiu e consertou os problemas da administração anterior, trazendo algumas atrações clássicas de Tomorrowland que haviam sido fechadas, como o PeopleMover e o Submarine Voyage temático de Procurando Nemo.

Nemo por Nemo, se for ver nem tá errado.


Eu não quero (nem conseguiria) entrar em detalhes sobre todas as lands do parque, então falarei rapidamente sobre o layout geral do parque.


Há um ponto central que conecta as principais lands do parque: Adventureland, Tomorrowland, Frontierland, e Fantasyland. No final do Hub (que tem a estátua de Walt e seu filho), existe a Main Street, desenhada pra relembrar o final do século 20. É lá onde acontecem os eventos principais, como as paradas e eventualmente uma competição olímpica de natação. (Bom ressaltar que a piscina foi instalada praticamente de um dia pro outro)
Walt costumava pegar o carro do corpo de bombeiros de manhã cedo e dar uma volta pelo parque sozinho.

Adventureland é pra você que se sente confortável no meio do mato, atravesando o rio cheio de muriçoca e sem repelente (o que eu imagino que deva ser uma experiência parecida com ver Mark Zuckeber interagindo com Bella Swan e o Lanterna Verde, mas divago). Lar de atrações como Tiki Room, Jungle Cruise e Indiana Jones.

Frontierland é baseada no tempo dos pioneiros, de Davy Crockett, cavalos e pew pew pew. Uma land mais histórica,  com atrações como Big Thunder Mountain e Mark Twain Riverboat. Não tem muito a ver, mas também abriga o show noturno Fantasmic (que tem como pre-show uma das peças mais surreais sob o nome Disney).

Fantasyland é relacionada aos contos de fada, bote aí os filmes clássicos tudo, praticamente, com foco em Branca de Neve, Pinóquio, Peter Pan e Mr. Toad. Também abriga o grudento It's a Small World.

Tomorrowland é um dos sonhos de Walt de incentivar o avanço tecnológico, além de abrigar atrações futuristas como Star Wars, Astro Blasters, e o já mencionado Submarine Voyage.
Mas essa land na real começou com a atração Rocket to the Moon, onde os visitantes iriam se sentir como astronautas viajando pra lua. Mas 6 anos depois, a Apollo 11 de fato chegou no satélite feito de queijo, e a atração foi remodelada pra ser uma viagem à Marte, partindo do conceito original de incentivar o avanço científico.
Enquanto eles não relacionarem com maternidade, tá de boas.


A última área a ser pessoalmente supervisionada por Walt Disney foi a New Orelans Square, que abriga as suas rides mais famosas: Piratas do Caribe e Haunted Mansion.


E como eu amo essas duas rides e elas são de fato duas das rides mais icônicas e interessantes, devotemos um pouco de tempo a elas.


Pirates of the Caribbean foi a última ride a ser pessoalmente supervisionada pelo homem em pessoa. A ride não tem exatamente uma história, é basicamente uma invasão pirata cotidiana. Entretanto, é uma ride com tanta coisa interessante pra se ver, com tantos detalhes e tantos plots e teorias de plots, que é difícil não se admirar. Feita por uma equipe de artistas incrivelmente criativos e competentes, a idéia original seria um museu de cera sobre piratas. Provavelmente piratas lendários, como o Barba Negra, Jean Latfitte, Popeye e o Reirom.

Mas após sucesso de atrações como Carousel of Progress e Tiki Room, decidiram usar audioanimatronics, que são os famigerados "bonecos que se mexem". A tecnologia deles é de fato interessante, os bonecos eram programados mecanicamente pra fazerem certas ações obedecendo cliques mecânicos. Ou algo assim, até hoje eu não entendi bem como esses coiso funciona. Eu tenho mais facilidade pra compreender efeitos visuais práticos, como os vaga-lumes no começo da ride. São pequenas lâmpadas penduradas com uma black tape em um dos lados, que dá a impressão de piscarem. Lance bacana pra fazer qualquer dia que eu tiver um jardim em casa.


A atração se inicia com um velho sentado numa casa de pau a pique em um bayou. Lá inclusive fica o restaurante Blue Bayou (imagino que seja baseado no curta de Fantasia que foi usado em Make Mine Music), que é o único lugar no parque que serve bebida alcoólica, e a reserva tem que ser feita com antecedência. Pelas fotos, parece ser um lugar calmo, refinado, e ideal pra pedir alguém em casamento.
Isso é, se você não se incomodar com o cheiro de piratas.


Originalmente, a ride tinha bem mais referências aos piratas de verdade. Por exemplo, havia dois piratas correndo atrás de mulheres, e outro fugindo de uma mulher gorda. Um pirata gordo que segurava um vestido rosa ao lado de um barril com uma mulher dentro, presumidamente nua. O pirata cagado (ou algo assim, o nome original é "pooped pirate") faz gracejos sexuais, dentre eles insinuando que vai "dividir" a moça.

OBVIAMENTE, isso causou controvérsia por um tempo. Em 97 mudaram seu papel, e ele se tornou o Pirata Glutão, que encontrou muita comida, a qual era alvo de um gato, que se escondia no barril no lugar da mulher. As perseguições também foram mudadas, e agora as donas-de-casa lutam contra os piratas pra salvar seu vilarejo.


Em 2006, mais mudanças aconteceram, devido ao retumbante sucesso do filme estrelando Joãozinho Profunddo, o capitão Barbie substituiu o Capitão Sem Nome (que originalmente era o Barba Negra); e o icônico pirata João Esperou se escondia de seus colegas de profissão, bem como tentava roubar o mapa do Pirata Glutão.


E mais mudanças provavelmente estão por vir, já que foi divulgado uma arte conceitual com a ruiva da cena do leilão de esposas com uma arma, se rebelando contra os piratas. Tem havido muito debate entre os fãs se isso é ou não algo bom, se a Disney está tentando apelar pro politicamente correto, etc.

Eu vejo como interessante. Walt nunca quis que o parque ficasse completo, sempre haveria alguma mudança pra tornar a experiência mais interessante. Da mesma forma que as donas-de-casa enfrentando os piratas tem sua lógica dentro de uma narrativa e são engraçadinhas, aqui algo parecido pode ocorrer.


Quem sabe, em algum futuro próximo haja uma mega expansão na ride, com várias mudanças do tipo (o que levou um dos criadores da ride original, Xavier Atencio, a dizer que deveriam mudar o nome pra "Escoteiros do Caribe"), com uma reabertura grandiosa como no dia da inauguração, com atores de piratas fazendo um show ao vivo e invadindo o lugar, simbolizando a estadia deles no parque e retornando um pouco mais às raízes?
Difícil, mas eu divaguei demais com a idéia aqui.

Não é minha atração favorita, mas não tem como não gostar. São os piratas anti-heróis e divertidos: são maus, brutos, glutões e beberrões mas o clima da época é divertido, e até começamos a gostar de alguns personagens ali.

Minha atração favorita provavelmente seria a Mansão Mal-Assombrada.


Haunted Mansion tem quase o mesmo feeling do Mágico de Oz de 39, bem como outros grandes filmes: normalmente os segredos imperceptíveis a primeira vista, bem como a história por trás da obra são tão ou mais interessantes que a própria obra.
Ok, isso vale pra praticamente o parque todo, incluindo Piratas do Caribe e... É.
Mas Haunted Mansion me fascina mais, logo logo eu conto o porque.

O conceito data dos anos 50, com esquetes de uma Mansão mal cuidada e abandonada. Conceito que foi rejeitado por Walt, que disse "a gente cuida aqui de fora e deixa os fantasmas cuidarem lá de dentro". Como Walt estava focado na Feira Mundial de NY, o projeto foi sendo adiado, e ainda assim levou 7 anos pra ser completado e aberto ao público, em 1969.

O conceito original seria o Museum of the Weird. O Imagineer Rolly Crump fez alguns modelos pra apresentar a Walt, mesmo com seus colegas dizendo que o patrão não ia gostar. Os modelos envolviam cadeiras falantes, voodoo, objetos ciganos, coisas assim.


Walt chega na sala, Rolly mostra seus modelos, e Walt fica meio "é só isso?" e Rolly "é, só isso" e Walt "ok vlwflw". No dia seguinte, ainda ouvindo mentalmente seus colegas dizendo "eu bem que avisei", o artista é surpreendido com Walt sentado olhando pros modelos. "MEU IRMÃO, DOIDO, eu mal consegui dormir ontem pensando nesses troço, vamo desenvolver isso", e assim uma atração que seria simplesmente com os convidados passeando pelo lugar se torna uma mansão abarrotada de coisas assustadoras, como fantasmas, espíritos, caveiras, e a Jout Jout.

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O conceito da atração é que a Mansão serve como casa de repouso pra fantasmas. De fato, quando a atração não estava totalmente elaborada, puseram uma placa no portão recrutando fantasmas pra repousarem lá. Mais tarde isso serviria pra criar o lore oficial da ride.

E talvez mais que Piratas do Caribe, tem literalmente TANTA coisa nela que não dá pra falar tudo num post só. Raio, existe um blog dedicado só a vasculhar essas pequenas coisas, então sim, é uma história riquíssima.


O plot principal se concentra em alguns personagens: o Ghost Host, Constance, e Madame Leota. Ghost Host é o personagem que te guia pela Mansão, e seria um pirata que foi morto pela noiva depois dela descobrir sobre as coisas de pirata dele... ou algo assim, são 3 horas da manhã, a essa altura eu tou confundindo todas as versões da atração, o filme de 2003, e os quadrinhos de 2005.

Madame Leota é a vidente/médium que nos leva à parte mais divertida da atração. A primeira parte é mais sombria e mais assustadora, e a segunda é mais animada e colorida e com piadas visuais. Cada uma foi desenhada por um cara diferente, com visões totalmente diferentes.

Qual a tradução pra "designed" mesmo? "Desenhado" não é, porque o design envolve mais elementos do que só o visual. Eu sei lá, mas cês entenderam.


O que eu mais amo nessa atração é que ela é basicamente uma celebração aos efeitos práticos clássicos, como... Oras, eu não vou dizer! Assistam os vídeos das rides e verão como é uma experiência massa, mesmo sendo só vídeo. Boa parte da graça disso é tentar entender como esses efeitos funcionam, então sem spoilers.

E eu vejo os efeitos novos feitos em CG (como os Hitchhiking Ghosts e o Hatbox Ghost) com um certo desgosto, mas ao mesmo tempo eu entendo que mudanças são necessárias, e por um lado até vejo como uma celebração da convivência e harmonia entre velhos efeitos e novos efeitos. Contanto que eles continuem usando efeitos práticos, não é algo que me incomoda tanto.

Aliás, o próprio Hatbox Ghost tem uma história interessante. Ele estava lá no dia da abertura da ride, mas o efeito não funcionava bem por problemas técnicos. Os visitantes ficavam muito perto dele e descobriam logo o efeito. Logo, eles o tiraram em pouco tempo. Isso causou um debate durante anos entre os fãs, que apontavam evidências como a aparição dele em um livro de histórias da Disneyland Records, bem como outros materiais promocionais e até uma lista de check up dos cast members que incluía o nome do personagem.
Até que divulgaram fotos de um dos Imagineers, Yale Gracey, preparando o personagem, e do próprio Ghost na ride.


Enfim, essa foi uma pincelada BEM por cima. Até porque eu não tenho muita propriedade pra falar do parque ou das atrações em si, mas eu queria ao menos compartilhar algumas histórias do parque. Com certeza eu vou voltar a esse assunto no futuro, com mais calma e tempo, mas... É, eu não sei como terminar esse artigo.

Então fiquem com a vinheta do Jornal do SBT que usava uma música do EPCOT.

E sim o Epcot terá seu lugar aqui, ele precisa de um artigo só pra ele.

E tem essa belíssima foto da Hollie Ballard.
Sigam o instagram dela, vale muito a pena.

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