Rogue One




Eu falei que A Felicidade Não Se Compra seria a última resenha natalina, certo? Certo. Porque aparentemente ganhamos uma nova tradição, que é ter um filme Star Wars todo ano em Dezembro. O que faz mais sentido ter um filme que celebra aventuras espaciais, explosões, e estudos genealógicos de personagens fictícios durante o Natal do que no Dia das Mães.

E esse parágrafo que se desenvolveu como uma piada mas que acabou não entregando o que prometia acabou ficando vazia, mas ei, vocês amam o Porta dos Fundos, não reclamem.


Então vamo falar de Rogue One, com o mínimo possível de spoilers.



A primeira imagem divulgada do filme,
de longe uma das mais sem-graça que eu já vi.

A história nos conta sobre a irmã perdida de Zoey Deschanel, Jyn Erso. Tudo que sabemos dela é que ela é filha dum engenheiro que ajudou na construção da Estrela da Morte, e que ela é uma peça fundamental pra Aliança Rebelde ter vantagem estratégica. Ela se junta com outros guerreiros rebeldes, um robô do Império reprogramado, um monge cego, e o filho da Tyra com o Viktor de Paladins.

Não me pergunte os nomes deles, eu não faço a mínima idéia.

E esse é justamente um dos problemas.



Nenhum dos personagens se destaca, fora Jyn. E o único motivo de ela se destacar é por ela ser a protagonista, por ela ser essencial nos planos rebeldes, não necessariamente por ser interessante ou memorável. Eu tou tentando lembrar de algum momento marcante com ela, mas se eu lembrar de dois, foi muito.

Na real, quem de fato rouba a cena é o monge cego, que não só é um personagem legitimamente simpático e interessante, como também consegue ser engraçado às vezes. Quanto aos outros personagens, eles meramente tão ali, cumrpindo seu papel, sem fazer muito por merecer.


A falta de carisma e de desenvolvimento dos personagens é um problema gravíssimo em qualquer produção (exceto se for devido a outras causas, como a obra estar um pouco antiquada aos padrões de hoje, mas são raras exceções), e aqui ficam ainda mais gritantes porque toda a narrativa é feita como se fosse de fato uma guerra.




Não é um filme do canon Star Wars, é parte do Universo Expandido. Logo, o tom pode ser um pouco diferente do que estamos acostumados. É quase um spin-off, como KH: Chain of Memories. Com a diferença que Chain of Memories não era spin-off pitombíssima nenhuma, mas divago.
A melhor forma que eu consigo descrever como o filme se encaixa e se enxerga é traçando um paralelo com Star Wars Battlefront 2.


Battlefront 2 é um jogo de guerra ambientado no universo de Star Wars, especificamente cobrindo da Ordem 66 até a Batalha de Hoth (no modo campanha). E durante todo o jogo, você controla primordialmente os soldados. Não é algo que seja inovador (eu tenho quase certeza de que já fizeram isso antes em outros jogos e quadrinhos), mas é certamente narrado de forma interessante. Um dos momentos que chamam a atenção no modo campanha é na missão em Felucia, onde o comandante do esquadrão relata:


"Quando o 501ª foi dispensado de Felucia, Aayla Secura quis nos ver pessoalmente, nos chamando de 'os soldados mais bravos que ela já viu'. Que bom que estávamos de capacetes, pois nenhum de nós conseguia olhá-la nos olhos."


Se você sabe o contexto, essa frase tem um peso a mais, e isso é levado em conta pros clones, tornando-os seres tridimensionais, complexos e interessantes.

-A praia daqui é mó daora, o mar bem azulzin, ó!
-Vai fazer uma diferença medonha.

Esse tipo de peso não existe em Rogue One. Claro, o elemento tá lá, o capitão que eu não lembro o nome diz que teve de desobedecer ordens, os outros caras do Esquadrão também cometeram crimes pra realizar certas missões, etc. Mas nós não conhecemos esses personagens, só o que vimos foram eles realizando missões, indo de um planeta ao outro procurando pistas, mas sem se desenvolver como seres humanos, complexos, identificáveis, pra que o sacrifício e esforço que eles tão passando faça valer mais.

No entanto, todo o resto é bastante agradável.



A fotografia é bem montada, as cenas de ação são extremamente bem coreografadas, e o filme tem um ritmo até agradável, sabendo quando colocar uma cena de ação, e quanto voltar pra calmaria, bem como os momentos de tensão. Até os tiros de blaster eu senti bem mais secos, e a coreografia mais realista, que ressaltam o foco numa guerra menos glamurosa que os jedi enfrentam. Há também um cuidado na tecnologia mostrada no filme, que tenta emular a tecnologia do Episódio 4.
A cena final (ao qual eu chamarei de Batalha do Beach Park até o fim da minha vida) é empolgante, tensa, e fecha todos os plotpoints necessários.

Entretanto, a cena teria sido bem mais aproveitada se conhecêssemos os personagens que tão dando sangue e suor no campo de batalha. Caso contrário, não há peso emocional e a cena se perde.


Quase que era um TOP.
Mas esse não é um filme TOP.

Gostei de ter visto, talvez veria de novo. Se tu é um fã incondicional de Star Wars, vale a pena dar uma olhada, sem esperar muito. Caso contrário, não vai perder muita coisa se não ver.

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